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Artigos: Brasil
A responsabilidade das oposições PDF Imprimir E-mail
Escrito por Indicado en la materia   
Miércoles, 08 de Julio de 2015 12:25

Por Fernando Henrrique Cradoso.-

Diante da paralisia governamental, da expansão incontrolada da ação legislativa, da recessão econômica e do ativismo da Justiça, vê-se muita cobrança: e as oposições e o PSDB? Sumiram? Que farão com os mais de cinquenta milhões de votos que receberam? Compreende-se a angústia, mas é preciso distinguir os papéis da oposição e os do Governo.

Como no jogo de xadrez, o Governo joga com as pedras brancas, as iniciativas têm que partir dele. Tomou algumas no desespero, para enfrentar as agruras financeiras. Ao tomá-las foi buscar quadros e medidas no arsenal da oposição. Quer isso dizer que a oposição deve ficar paralisada? Não.

Política econômica é questão de dosagem e de credibilidade. A dose parece excessiva e todo esforço fiscal pode se esvair na falta de atividade econômica que encolhe a arrecadação. Segundo, sem um horizonte de esperança, qualquer ajuste pode ser letal.

Com este Governo não há recuperação de credibilidade à vista, pois o cristal se quebrou. E os escândalos de corrupção revelados diariamente se encarregam de corroer qualquer elo de confiança que o Governo queira tecer.

Cabe às oposições mostrar no dia a dia, e não só no Congresso, que o sofrimento do povo é consequência da ação desatinada dos governos de Lula e Dilma – da dupla e não só da última – que desdenharam das boas práticas de gestão do Estado. Só na Petrobras, os prejuízos causados por decisões erradas para atender a pressões políticas chegam a 34 bilhões de reais, fora os seis bilhões de propinas! Que dizer do desrespeito sistemático da Lei de Responsabilidade Fiscal. É prova de imprudência no uso do dinheiro público.

É preciso reavivar a memória do povo, a cada instante, para mostrar que este ajuste violento não corresponde ao que foi pregado pelo PSDB, não é “o que o Aécio faria”. O ajuste vai cair nos ombros da população. O aumento de impostos pega todos, empresários e consumidores, desemprego e reajustes salariais abaixo da inflação pegam os trabalhadores. A alta das taxas de juros em doses excessivas aumenta a dívida pública e dificulta o próprio ajuste. Estas medidas podem eventualmente controlar a inflação, mas reduzem a massa salarial e diminuem o consumo. Como o Governo não corta despesas, a retomada do crescimento – se houver – terá sido conseguida a enorme custo para o povo.

O refrão das oposições deve ser: chegamos a tais medidas e ao descalabro atual porque os governos lulo-petistas foram irresponsáveis, não se preocuparam em controlar o gasto público e enganaram o povo, enveredando pela megalomania. Os royalties do pré-sal, diziam, vão resolver os problemas da educação, faremos ao mesmo tempo o trem bala, a transposição do São Francisco, a Norte-sul e a Transnordestina, sem falar nos 800 aeroportos! Concessão de serviço público é coisa de vende-pátria neoliberal. Daremos empréstimos no FIES e no Minha Casa Minha Vida, as bolsas acomodarão os miseráveis e o BNDES dará subsídios em abundância aos empresários. O Tesouro pagará a farra.

Tanto pior, melhor? Não. Anotada e registrada a responsabilidade política do petismo, as oposições, em particular o PSDB, têm compromissos com a nação. Nada justifica arruinar ainda mais o futuro, votando pela derrubada do fator previdenciário. Nada explica apoiar aumentos de gasto que no futuro serão pagos com mais impostos, mais inflação e mais ajustes. Em suma, a oposição deve criticar as políticas petistas e não se confundir com elas. Não deve, porém, votar contra os interesses da nação.

Espera-se mais das oposições. Espera-se que apresentem sua visão de futuro, apontando um rumo ao país. Espera-se que se comprometam com a construção de uma economia de baixo carbono, impulsionada pela inovação, regida por regras claras e estáveis, com agências regulatórias independentes, mais e melhor integrada ao mundo e às cadeias globais de valor.

Espera-se que defendam a re-industrialização do país, sem hesitar na crítica a políticas canhestras de conteúdo nacional que, sob a pretensão enganosa de estimular a produção local, acabam por isolar o Brasil e condená-lo à obsolescência tecnológica.

Espera-se que façam da educação não um slogan, mas de fato uma prioridade do Estado e da sociedade, que tenham a coragem de dizer que, embora avançando, o Brasil está ficando para trás em relação a países comparáveis ao nosso, que, frente à sombra que esse quadro projeta sobre o futuro do país, não receiem enfrentar dogmas e pressões corporativas que dificultam reformas e inovações indispensáveis a um salto de qualidade em matéria de educação.

Espera-se das oposições que sejam progressistas também no campo comportamental: que não defendam a redução da maioridade penal, mas sim a extensão da pena dos menores infratores em dependências que sejam condizentes com a dignidade humana; que apoiem como legítimo e justo o casamento entre pessoas do mesmo sexo; que não fujam ao debate sobre as drogas, que não temam proclamar que o encarceramento dos usuários é parte do problema e não da solução; que sejam assertivas na luta pela igualdade de gênero e contra o preconceito e a discriminação racial, com o uso adequado de cotas e demais medidas compensatórias; e que não aceitem retrocessos legais na questão das terras indígenas.

Espera-se das oposições, sobretudo, que reafirmem seus valores democráticos. Que digam, em alto e bom som, ser possível e necessário atuar contra a deliberada violação de direitos humanos, principalmente em países vizinhos, sem com isso ferir o princípio da não intervenção.

Da mesma maneira, espera-se que reiterem não ter o propósito antidemocrático de derrubar governos, mas tampouco o temor de cumprir seus deveres constitucionais, se os fatos e a lei assim o impuserem.

EL PAIS; ESPANHA

 
Brasil põe à prova sua democracia PDF Imprimir E-mail
Escrito por Indicado en la materia   
Jueves, 09 de Julio de 2015 11:56

Por Juan Arias.-

não é a Venezuela nem tampouco a Grécia, embora haja analistas políticos que alertem para a fragilização da democracia do país. Não existem, de fato, democracias para sempre. Elas são conquistadas a cada dia.

Um dos pilares que ajudou o Brasil a crescer e que lhe outorgou respeito internacional foi a consolidação, passo a passo, de suas liberdades democráticas, depois da ditadura militar. Diante da imagem de muitas democracias frágeis dentro do continente e de tentações autoritárias na velha Europa, o Brasil sempre foi visto, apesar de seus desequilíbrios sociais e de seus altos índices de violência, como uma sociedade na qual os poderes do Estado têm funcionado sem sobressaltos e com liberdade.

Hoje é assim? Não é segredo que o país atravessa uma de suas mais graves crises, como destacam editoriais de importantes meios de comunicação nacionais e estrangeiros. Uma crise que não é só econômica, mas também e, talvez, sobretudo, política e ética.

O Brasil tem recursos naturais e humanos para poder sair da crise econômica que o atormenta e que parece agravar-se a cada semana com a multiplicação dos índices negativos de crescimento do PIB, inflação, juros, redução da atividade industrial e desemprego.

Da crise econômica é possível sair com um novo modelo de crescimento capaz de reparar os danos sofridos por políticas erradas e pecados de desperdício de recursos públicos ou de um excesso de nacionalismo. Basta querer.

Mais difícil parece ser superar o momento político que se apresenta cada dia mais emaranhado, azedado, imprevisível e até perigoso.

Um país com um governo tão frágil que nem sequer é apoiado por seu partido, o PT, nem pelo maior aliado, o PMDB. Um governo criticado duramente até pelo ex-presidente Lula, com uma presidenta como Dilma, com 9% de apoio popular -- de quem se pede a saída todos os dias na rua, nos palácios do poder econômico e nas redes sociais--, corre o perigo de ver sua democracia minada.

Até a mais sólida das democracias acaba degenerando em tirania quando a oposição é despojada do seu papel fundamental de vigiar

Há quem se pergunte como um país da envergadura do Brasil pode continuar a legislatura inteira (iniciada há apenas seis meses) com essa espada de Dâmocles por cima exigindo uma mudança que não pode ocorrer a não ser pelas vias democráticas.

Jornais sérios, como o Valor Econômico, explicam as supostas manobras do PMDB, o partido mais importante da coalizão de Governo, para apear Dilma do poder. Personagens como Lula tacham o Governo de mudo, incapaz de reagir e afirmam que Dilma está politicamente morta.

Por sua vez, a presidenta afirma que não deixará a cadeira e desafiaos que pretendem isso com um “venha tentar”.

Enquanto isso, a explosão do vulcão da corrupção na Petrobrasameaça chegar à praia do Palácio Presidencial com a possibilidade de que a mandatária, com seu padrinho Lula, possa ser denunciada por ilegalidades que a obrigariam juridicamente a perder o cargo. E é certo que em 16 de agosto os muitos e poucos cidadãos que sairão à rua convocados pelos movimentos de descontentes com o governovoltarão a gritar “Fora, Dilma!”.

Tudo isso poderia entrar no jogo democrático e em muitas ocasiões essas crises servem até para fortalecer a democracia, como ocorreu com o caso Collor, em que triunfou o desejo democrático da sociedade.

O perigo de hoje no Brasil é que está sendo posto em discussão, talvez pela primeira vez, um papel indispensável para a solidez de uma democracia, que é o da oposição.

O Brasil tem, com efeito, pouca consciência de que, em uma democracia, tão importante ou mais que o papel do Governo é o da oposição, à qual se tenta, às vezes, ver como inimiga da democracia.

Até a mais sólida das democracias acaba degenerando em tirania quando a oposição é despojada do papel fundamental de vigiar, controlar e denunciar o governo quando considera que se desviou do mandato recebido nas urnas, ao mesmo tempo que o de organizar-se para chegar ao poder com programas alternativos que deverão ser julgados pela sociedade.

O fato, por exemplo, de que seja tachado de “golpe” a ação da oposição, que exige prestação de contas ao Legislativo, não é mais do que o desejo de deixá-la de mãos atadas e demonizá-la.

Até agora ninguém foi capaz de demonstrar, por exemplo, que o maior partido de oposição, o PSDB, que hoje venceria amplamente nas urnas até mesmo um candidato invencível como Lula, tenha planejado algum tipo de golpe inconstitucional. Quando muito se poderia dizer que, dada a grave crise global que vive a sociedade brasileira, a oposição está mais para tímida e até excessivamente respeitosa.

Sem dúvida, algo que o PT não deveria esquecer, já que ele e seu líder maior, Lula, com os sindicados e os movimentos sociais, exerceram uma oposição sem trégua ao governo democrático do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e pedia nas ruas, dia sim, dia não, sua saída do Governo. E ninguém então o tachou de golpista, e ele conseguiu chegar ao poder.

O Governo tem que governar e à luz do sol. Quando fracassa, a culpa é só sua

O Brasil tem hoje a sorte de que a sociedade não exige nas ruas soluções extremistas ou revolucionárias para a crise. Não surgiram nem sequer partidos novos antipoder nem de extrema esquerda nem de extrema direita ou inimigos da democracia. Nem tampouco candidatos aventureiros.

Todas as soluções que se apresentam a partir da oposição não podem ser mais conservadoras, todas elas dentro do quadro das democracias tradicionais que preveem alternativas de poder como antídoto contra a corrupção de governos eternizados no poder.

Às vezes até parece que a crise de que o Brasil padece é culpa da oposição, como se tenta demonstrar a um eleitorado menos informado. Mas é culpa do PSDB que o Brasil acabe o ano em recessão e com uma inflação de 9% ou com as maiores taxas de juros do planeta ou com o fantasma do desemprego assombrando os trabalhadores?

É culpa da oposição a corrupção que tem sangrado a Petrobras, o enfraquecimento da indústria, a perda de confiança dos empresários no Governo ou a falta de investimentos? Ou que acabem não decolando os projetos de criação de infraestrutura, que morrem velhos sem ser concluídos?

Uma democracia de verdade tem suas regras fundamentais. O Governo tem que governar, e à luz do sol. Quando fracassa, a culpa é só sua, não da oposição, cuja função é desmascarar as artimanhas do poder quando beira a ilegalidade.

Não é golpe exercer até com dureza o papel de oposição. Golpe é, quando muito, o que fazem às vezes nas sombras os que têm a responsabilidade de prestar contas à sociedade sobre como se empregam seus impostos e que levam a cabo manobras pouco ortodoxas para se manter a qualquer custo no poder.

Quanto mais a crise se alongar e gangrenar, mais a democracia estará em perigo. É dever da oposição não deixar que a situação chegue a degringolar, seja por medo de exercer seu papel ou por não saber encontrar soluções alternativas que convençam uma sociedade desmoralizada e desiludida.

EL PAIS; ESPANHA

 
Ilusões perdidas (O delirio megalomaníaco do PT) PDF Imprimir E-mail
Escrito por Indicado en la materia   
Viernes, 19 de Junio de 2015 12:15

Por Luiz Ruffato.-

Ubi sunt qui ante nos fueront?” é uma expressão latina, mote de vários poemas medievais, que, traduzida, pergunta: Onde estão agora aqueles que existiram antes de nós? É um questionamento sobre a transitoriedade da vida, mas pode também ser tomada como uma reflexão a respeito das pessoas e ideias nas quais um dia depositamos crédito e que, desafortunadamente, nos decepcionaram de maneira irrevogável. Quando isso ocorre nas relações privadas desenrola-se um drama. Se na vida comunitária, encena-se uma tragédia.

O financiamento público de campanhas eleitorais esteve desde o início entre as principais bandeiras do PT como arma no combate à corrupção. Em 2013, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a defender uma reforma política que caracterizasse o financiamento privado como crime inafiançável. No entanto, passados pouco mais de dois anos, Lula voltou atrás e afirmou não ver problema em, “de cabeça erguida”, o PT aceitar dinheiro de empresas para patrocinar candidaturas.

Por muito menos, em 1997 a ex-prefeita de São Paulo e deputada federal Luiza Erundina foi pressionada a deixar o partido após aceitar convite do ex-presidente Itamar Franco para assumir uma pasta em seu ministério. Na época, o PT havia se colocado em oposição incondicional ao governo, aliás, um enorme equívoco – Itamar revelou-se fiador da nossa frágil democracia e iniciou o processo de estabilização da economia. Ironicamente, para reeleger a presidente Dilma Rousseff e manter-se no poder, no ano passado o partido não titubeou em aceitar o apoio do ex-presidente e atual senador Fernando Collor, que renunciou ao mandato em 1992 para evitar o impeachment por corrupção.

O PT surgiu em fins dos anos 1970 como uma novidade histórica: uma agremiação de esquerda alicerçada em movimentos populares, sem o ranço do autoritarismo reacionário comunista. Assentado em um discurso reformista que pregava mudanças políticas e sociais respeitando as regras da democracia, o partido se consolidou ao longo dos anos 1980. No entanto, na medida em que ganhava eleições municipais e estaduais, os princípios éticos que norteavam os ideais petistas iam se esgarçando. Finalmente, quando alcançou o governo federal em 2003, pouco restava do pensamento original.

O preço que a sociedade está pagando pela submersão do PT na areia movediça da degradação moral é incalculável

É indiscutível que ainda assim houve importantes avanços, principalmente no campo social –aspecto que delimita a diferença radical entre as práticas políticas de esquerda e de direita. Mas o preço que a sociedade está pagando pela submersão do PT na areia movediça da degradação moral é incalculável. O cinismo com que quadros do partido justificam as atitudes de dirigentes envolvidos em crimes de corrupção, muitas vezes usando argumentos que quase chegam a repetir o lema “rouba, mas faz”, é estarrecedor. Exemplo recente é a moção de apoio ao ex-tesoureiro João Vaccari Neto, que encontra-se preso acusado de desviar recursos da Petrobras – antecipando-se à Justiça, o partido presume sua inocência.

Em 1982, durante campanha para eleição ao governo do Estado de São Paulo, na qual foi derrotado, Lula pronunciou uma famosa sentença: o PT mata a cobra e mostra a cobra morta. Hoje, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto, vem a público declarar que o que houve no mensalão foram “erros” e não crimes. A ética relativa do PT exemplifica em que se converteram os ideais do início da formação do partido. Suas lideranças pouco a pouco assenhoraram-se da verdade, tornando-se comandantes messiânicos pairando acima do bem e do mal. O sectarismo advoga que os fins justificam os meios. Esquecem-se, no entanto, que, se a verdade é transitiva, a ética é um princípio basilar inegociável.

Esse delírio megalomaníaco do PT não afunda apenas o partido, mas configura-se como um perigoso revés para a nossa débil democracia, já que, equiparando-se aos outros partidos, esvazia a esperança dos que um dia sonharam com um Brasil mais justo. Por conta dos desmandos dos gestores do PT, o país encontra-se refém do PMDB, que tem como líderes os presidentes da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros – este, aliás, para quem não se lembra, ministro da Justiça do governo de Fernando Henrique Cardoso.

EL PAIS; ESPANHA

Luiz Ruffato é escritor e jornalista.


 

 
Raúl Castro quer conversar com EUA. Uma análise PDF Imprimir E-mail
Escrito por Indicado en la materia   
Sábado, 13 de Septiembre de 2014 10:57

Por Jorge Hernández Fonseca.-

Mais uma vez o ditador substituto cubano oferece “conversações” diretas aos Estados Unidos e outra vez mais o faz de maneira errada. Estados Unidos não tem por que estar interessado em discutir pontualmente o sistema político cubano, aspecto que na proposta de Raúl Castro se impõe como uma pré-condição. O que provavelmente interessa a Estados Unidos é mesma coisa que interessa ao povo de Cuba: que todos os cidadãos participem do sistema de governo da ilha, da mesma forma que faz o resto da América Latina, a cuja esfera pertence Cuba.

Realmente não sei como vai reacionar oficialmente o governo norte-americano ante esta proposta ‘rauliana’ de conversações, na qual se incluem pré-condições que provavelmente nada tem a ver com o interesse dos Estados Unidos. Não é que a potência do Norte exija ao ditador cubano um ou outro regime político. O que muito provavelmente interessaria aos EUA são seguridades que em Cuba haja respeito pela opinião de todo o povo e não só de uma minoria --o partido comunista cubano-- que governa sem liberdades hoje, contra tudo seu povo.

A ditadura de una elite (o partido comunista é declaradamente elitista, baseado na sua condição de vanguarda mínima que “dirige tudo o povo”, segundo estabelecem seus próprios estatutos) e isso não é mais possíveis admitir, não pela parte dos Estados Unidos, mas, pelo resto da população da ilha, inerme frente uma ditadura militar autoritária. Argumentos como o de Raúl Castro já tinha sido usado antes pelos líderes do “apartheit” na África do Sul, que insistiam à comunidade internacional para admitir seu regime de terror, baseado na mesma razão que agora esgrime o ditador substituto cubano: “há que respeitar as nossas opções (ditatoriais)”.

Por trás desta proposta de Raúl Castro esta o Brasil, insistindo na necessidade de uma “distensão” para que EUA levante o embargo econômico sobre Cuba e se iniciem os negócios do comércio entre Cuba y EUA usando o Porto de Mariel. Ali os brasileiros têm enterrado mais de mil milhões de dólares para tentar favorecer a ditadura castrista. Logicamente que não haverá negociações com estas precondições e Brasil terá que assimilar o golpe que significa ter entregado à ditadura cubana um dinheiro que não recuperará, nem agora com Raúl Castro impondo condições, nem posteriormente, quando a ditadura já não exista mais.

Há uma alternativa sobre a mesa, que o Brasil pode usar em seus contatos com a ditadura cubana: o Movimento Cristão de Libertação, MCL, tem proposto um plebiscito para consultar toda a população cubana (não aos Estados Unidos, como erradamente faz Raúl Castro) se é que quer continuar sob a bota dos irmãos Castro, ou se quer liberdade total para Cuba.

Estados Unidos deveria responder ao Raúl Castro que “não esta interessado no regime político que se queiram dar os cubanos; que estaria interessado que seja todo o povo cubano --de dentro e fora da ilha-- quem decida e não unicamente Raúl Castro, que nunca foi eleito de forma democrática na ilha, como têm sido com os governantes do resto da Latino-América”.

Uma opção esta nas mãos do atual governo brasileiro: convencer aos irmãos Castro que Cuba não é uma fazenda própria, mas, uma República onde seus cidadãos têm o direito a serem consultados. Brasil deveria promover ante Raúl e o Fidel –o ditador substituto e o ditador real-- a necessidade de uma consulta popular, universal, livre y supervisada: um plebiscito.

22 de Dezembro de 2013

Artículos deste autor podem ser encontrados em http://www.cubalibredigital.com

Última actualización el Sábado, 03 de Enero de 2015 13:47
 
A batalha de um homem só PDF Imprimir E-mail
Escrito por Indicado en la materia   
Lunes, 01 de Junio de 2015 11:52

Mario Vargas Llosa.-

Nos anos setenta teve lugar um extraordinário fenômeno de confusão política e delírio intelectual que levou um setor importante da inteligência francesa a apoiar e mitificar Mao e a sua “revolução cultural”, ao mesmo tempo que, na China, os guardas vermelhos faziam passar pelas forcas caudinas professores, pesquisadores, cientistas, artistas, jornalistas, escritores, promotores culturais, dos quais um bom número, depois de autocríticas arrancadas sob tortura, se suicidou ou foi assassinado. No clima de exacerbação histérica que, alentada por Mao, percorreu a China, destruíram-se obras de arte e monumentos históricos, cometeram-se abusos iníquos contra supostos traidores e contrarrevolucionários, e a milenar sociedade experimentou uma orgia de violência e histeria coletiva que resultou em cerca de 20 milhões de mortos.

Em um livro que acaba de publicar, Le Parapluie de Simon Leys (o guarda-chuva de Simon Leys), Pierre Boncenne descreve como, enquanto isso ocorria no gigante asiático, na França eminentes intelectuais, como Sartre, Simone de Beauvoir, Roland Barthes, Michel Foucault, Alain Peyrefitte e a equipe de colaboradores da revista Tel Quel. dirigida por Philippe Sollers, apresentavam “a revolução cultural” como um movimento purificador, que poria fim ao stalinismo, purgaria o comunismo da burocratização e do dogmatismo e instalaria a sociedade comunista livre e sem classes.

Um sinólogo belga chamado Pierre Ryckmans, que assinaria seus livros com o pseudônimo Simon Leys, até então desinteressado pela política – dedicou-se a estudar poetas e pintores chineses clássicos e a traduzir Confúcio –, horrorizado com o engodo em que sofisticados intelectuais franceses endeusavam o cataclismo que a China padecia sob a batuta do Grande Timoneiro, decidiu enfrentar aquele grotesco mal-entendido e publicou uma série de ensaios – incluindo Les Habits Neufs du Président Mao, Ombres Chinoises, Images Brisées, La Fôret en Feu – revelando a verdade do que ocorria na China e enfrentando, com grande coragem e conhecimento direto do tema, o endeusamento que faziam da “revolução cultural”, levados por uma mistura de frivolidade e ignorância, não isenta de certa estupidez, muitos ícones culturais da terra de Montaigne e Molière.

Os ataques de que Simon Leys foi alvo por atrever-se a ir contra a corrente e desafiar a moda ideológica reinante em boa parte do Ocidente, que Pierre Boncenne documenta em seu fascinante livro, dão vergonha alheia. Escritores de direita e de esquerda, nas páginas de publicações respeitáveis como Le Nouvel Observateur e Le Monde, cobriram-no de impropérios – entre os quais, obviamente, não faltou o de ser um agente e de trabalhar para os americanos –, e o que mais deve ter doído nele, por ser católico, foi que revistas franciscanas e lazaristas se negassem a publicar suas cartas e artigos explicando por que era uma ignomínia conservadores como Valéry Giscard d’Estaing e Jean d’Ormesson e progressistas como Jean-Luc Godard, Alain Badiou e Maria Antonietta Macciocchi considerarem Mao o “gênio indiscutível do século vinte” e “o novo Prometeu”. Nunca foi tão certa como naqueles anos a frase de Orwell: “O ataque consciente e deliberado contra a honestidade intelectual vem sobretudo dos próprios intelectuais”. Poucos foram os intelectuais franceses daqueles anos que, como um Jean-François Rével, mantiveram a cabeça fria, defenderam Simon Leys e se negaram a participar daquela farsa que via a salvação da humanidade na barafunda genocida da revolução cultural chinesa.

A silhueta de Simon Leys que emerge do livro do Pierre Boncenne é a de um homem fundamentalmente decente, que, contra sua vocação primeira – a de um estudioso da grande tradição literária e artística da China, fascinado pelas lições de Confúcio –, se vê empurrado a mergulhar no debate político em que, por sua limpeza moral, deve enfrentar praticamente sozinho uma corrente coletiva encabeçada por eminências intelectuais, para dissipar um emaranhado de mentiras que os grandes malabaristas da correção política tinham transformado em axiomas irrefutáveis. Terminaria por sair vitorioso daquele combate desigual, e o mundo ocidental acabaria aceitando que a “revolução cultural”, longe de ser o sobressalto libertador que devolveria ao socialismo a pureza ideológica e o apoio militante de todos os oprimidos, foi uma loucura coletiva, inspirada por um velho déspota que se valia dela para se livrar dos adversários dentro do próprio partido comunista e consolidar seu poder absoluto.

Leys se atreveu a desafiar a moda ideológica que imperava em boa parte de Ocidente

O que restou de tudo aquilo? Milhões de mortos, inocentes de toda índole sacrificados por jovens histéricos que viam inimigos do proletariado em toda parte, e uma China que, diametralmente oposta ao que queriam fazer dela os guardas vermelhos, é hoje uma sólida potência capitalista autoritária que levou o culto do dinheiro e do lucro a extremos vertiginosos.

O livro de Pierre Boncenne ajuda a entender por que a vida intelectual de nosso tempo foi empobrecendo e se afastando cada vez mais do resto da sociedade, sobre a qual agora quase não exerce influência, e que, confinada nos guetos universitários, monologa ou delira extraviando-se frequentemente em logomaquias pretensiosas desprovidas de raízes na problemática real, expulsas dessa história a que tantas vezes recorreram no passado para justificar alienações delirantes como esse fascínio pela “revolução cultural”.

Uma cultura na que as ideias importam pouco condena a sociedade ao fim do espírito crítico

Não há motivo para se alegrar com o desprestígio dos intelectuais e sua escassa influência na vida contemporânea. Porque isso significou a desvalorização das ideias e de valores indispensáveis como os que estabelecem uma fronteira clara entre a verdade e a mentira, noções que hoje andam confundidas na vida política, cultural e artística, algo perigosíssimo, pois a derrocada das ideias e dos valores, aliada à revolução tecnológica de nosso tempo, faz da sociedade totalitária fantasiada por Orwell e Zamiatin uma realidade possível em nossos dias. Uma cultura em que as ideias importam pouco condena a sociedade ao desaparecimento do espírito crítico, essa vigilância permanente sobre o poder, sem a qual toda democracia corre o risco de desmoronar.

É preciso agradecer a Pierre Boncenne por ter escrito essa reabilitação de Simon Leys, exemplo de intelectual honesto que nunca perdeu a vontade de defender a verdade e diferenciá-la das mentiras capazes de distorcê-la ou aboli-la. Já no livro que dedicou a Revel, Boncenne tinha demonstrado seu rigor e sua lucidez, que agora confirma com seu último ensaio.

EL PAIS; ESPANHA

 
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