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Cinco anos após a morte de Fidel, Cuba está estagnada PDF Imprimir E-mail
Escrito por Indicado en la materia   
Sábado, 04 de Diciembre de 2021 13:59

Jovens exigem liberdades, tendo a Internet móvel como nova arma; os bolsos, atingidos por uma dolorosa reforma monetária; e sanções extremas impostas pelos Estados Unidos em meio à pandemia: cinco anos após a morte de Fidel Castro, a Revolução Cubana está estagnada, estimam analistas.

Cuba presta 1ª grande homenagem a Fidel Castro na Praça da Revolução |  Mundo | G1

Presente em Cuba desde 1959, o fidelismo "tem o mérito de ter criado um sistema de bem-estar social" que trouxe saúde e educação para toda população, mas "deixou um país materialmente empobrecido, com uma forma anacrônica de governar, com espaços limitados de debate e de concorrência", diz Arturo López-Levy, da Holy Names University, na Califórnia.

 

 

Ficaram para trás as imagens do longo cordão de "gratos" que se despediram das cinzas do "Comandante" após sua morte em 25 de novembro de 2016, durante um percurso de mais de 900 km entre Havana e o monólito, onde repousam, em Santiago de Cuba, no leste da ilha.

Doente desde 2006, Fidel deixou o poder para seu irmão Raúl. Este entregou, em 2018, as rédeas da presidência a Miguel Díaz-Canel e, em 2021, fez o mesmo com o controle do Partido Comunista.

"O sistema cubano se propôs a substituir a liderança carismática por formas mais institucionais" e conseguiu sobreviver, comentou López-Levy.

Ele ressalta que "isso é necessário em contextos revolucionários, mas não suficiente".

"O espírito fidelista concebia o sacrifício e a mobilização moral em prol do coletivo", mas uma reforma promovida em 2011 por Raúl Castro, mais pragmática e realista, implicou "a reafirmação dos interesses individuais" no país, explica.

Além disso, todos reconhecem seu legado na medicina, o qual possibilitou controlar a pandemia e imunizar 80% da população.

- "Geração dos migrantes" -

Uma nova geração irrompeu na cena política após a morte de Fidel, exigindo direitos e liberdade de expressão. São os chamados "netos da Revolução", que têm entre 30 e 40 anos, que representam 13,5% da população total de 11,2 milhões de habitantes.

Eles exigem participação política, projetos que lhes permitam prosperar e rejeitam os apelos à resistência contra os Estados Unidos, um tema que mobilizou seus pais.

Isso ocorre em uma sociedade envelhecida. Os líderes "históricos" aparecem com frequência nos obituários do jornal Granma, e os "filhos da Revolução", com quase 70 anos, estão se aposentando.

A nova "variável" neste "contexto complexo tem sido o protesto social", afirma o economista cubano Pavel Vidal, da Universidade Javeriana da Colômbia.

Muitos "netos" são profissionais competentes que entraram em cena espontaneamente para ajudar durante o tornado de 2019 em Havana.

Mais organizados, em 2020, eles se agruparam no movimento San Isidro, que, em novembro daquele ano, deu origem a uma inédita manifestação em frente ao Ministério da Cultura.

Em seguida, vieram as históricas e multitudinárias manifestações de 11 de julho, seguidas por uma tentativa de protesto proibido este mês.

"Minha geração é próxima o suficiente dos nossos avós para entender sua história, mas historicamente separada o suficiente para não estar ancorada na história e ser capaz de pensar no futuro", diz Raúl Prado, um fotógrafo de 35 anos.

Experientes no uso da Internet, que chegou aos seus celulares apenas em 2018, eles estão à frente do arcaico aparato ideológico oficial, que repete velhos slogans vazios para esses jovens.

"Por não encontrar espaço político em nosso país e não vislumbrar um futuro possível, logo se tornará a geração dos migrantes", lamenta Prado.

"Esses cinco anos têm sido difíceis para a economia", diz Vidal, referindo-se à queda de 11% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, a maior desde 1993, e à forte inflação que tem causado a escassez de alimentos e de remédios.

Soma-se a tudo isso "a escalada de sanções sob o governo de (Donald) Trump que continua com (Joe) Biden, o impacto da crise infinita da economia venezuelana e da pandemia", acrescenta o acadêmico.

Nesse contexto, o governo aplicou uma reforma monetária em janeiro que significou um aumento significativo de salários. O mínimo passou de 400 para 2.100 pesos cubanos (de US$ 17 para US$ 87). Ao mesmo tempo, implicou o aumento descontrolado dos preços.

Em dez meses, a inflação foi de 60% no mercado formal. No mercado informal, porém, subiu 6.900%, segundo informações oficiais.

A expectativa é que a situação melhore com a reativação do turismo, uma vez controlada a pandemia da covid-19, bem como com o aumento do preço do níquel e uma indústria de biotecnologia capaz de produzir e exportar vacinas e medicamentos.

Ainda assim, para Vidal, é insuficiente, enquanto o governo não reconhecer que "uma parcela significativa da população não compartilha as mesmas ideias do Partido Comunista" e enquanto não aceitar "expandir a participação política".


EM.COM.BR

Última actualización el Martes, 07 de Diciembre de 2021 22:09
 

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