Puritanismo comunista em Cuba Imprimir
Escrito por Indicado en la materia   
Sábado, 17 de Septiembre de 2011 13:37

HAVANA — Um polêmico cineasta e um reconhecido sexólogo cubanos criticaram nesta quinta-feira o puritanismo do poder em seu país, que pode custar até o emprego dos que cometerem violações aos "bons costumes".


O jornal Granma, do Partido Comunista Cubano, é também um defensor dos "bons costumes" na Ilha (AFP, Adalberto Roque)

O cineasta e roteirista Eduardo del LLano considerou em seu blog que este estado de espírito "parece repetir a natureza do pensamento e da prática dos revolucionários", lembrando que em Cuba, um país de clima tropical e magníficas prais, "só as estrangeiras fazem topless".

"Há preconceitos arraigados, mas também proibições e pressão política. Em Cuba, se uma garota tirar a roupa numa discoteca, mesmo no escondido, torna-se um problema de segurança", afirmou Eduardo del Llano, acrescentando que, "para a televisão cubana, o corpo é pior que o inimigo".

Segundo o cineasta, "se alguns videclipes sobem um pouco a temperatura, viram assunto de debate no parlamento".

De Llano aceita que "a ideia é não prejudicar a imagem, a dignidade da mulher cubana", mas lembra que na Europa, onde são vendidas revistas eróticas, "ninguém diz que todas as alemãs ou espanholas sejam putas".

"Ao mesmo tempo, na medida em que tenta ser um povo mais digno, pode vir a tornar-se um povo de reprimidos", explicou.

O médico e sexólogo Alberto Roque lamentou a existência de uma ação, "a partir do poder, que discrimina, exclui e põe em crise a credibilidade das instituições".

Em artigo publicado em seu site do Centro de Educação Sexual, dirigido por Mariela Castro, filha do presidente Raúl Castro, Roque contou a história do engenheiro Luis Abascal, que foi punido e "afastado definitivamente de seu posto de trabalho", sem direito a reabilitação por quatro anos, por um documentário de teor sexual que memorizou no computador do escritório.

A decisão do tribunal trabalhista de Granma (leste), onde vive Abascal, foi contestada por especialistas que consideraram o material científico, não pornográfico; mas o órgão de justiça manteve a sentença, ao assinalar que "atenta contra os bons costumes".

AFP