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Notícias: Brasil
Videojogo norte-americano que “mata” Fidel Castro irrita à ditadura cubana PDF Imprimir E-mail
Escrito por Indicado en la materia   
Viernes, 12 de Noviembre de 2010 22:45

“Call of Duty: Black Ops” é o novo videojogo norte-americano que está a ser fortemente criticado em Cuba, por ter, entre as várias missões, uma que permite aos utilizadores "assassinar" o ex-líder cubano Fidel Castro. Cuba atribui aos Estados Unidos uma «nova operação» contra a ilha.

«Aquilo que o governo norte-americano não conseguiu em mais de 50 anos pretende agora alcançar por via virtual», lê-se num artigo publicado no site Cubadebate.

O site explica que o jogo permite que o utilizador use virtualmente armas e veículos de guerra em missões militares em territórios inimigos, como Cuba. A primeira operação do “Call Of Duty: Black Ops», segundo o Cubadebate, é «assassinar Fidel» numa operação que se desenvolve em Cuba antes da crise dos mísseis (1962).

O artigo publicado no site cubano considera, ainda, que o jogo da Activision é um «divertimento para psicopatas» por oferecer «violentos confrontos bélicos virtuais com assassínios espectaculares».

Última actualización el Viernes, 12 de Noviembre de 2010 22:47
 
Solana: Cuba deve fazer 'reformas econômicas mais claras e rápidas' PDF Imprimir E-mail
Escrito por Indicado en la materia   
Martes, 26 de Octubre de 2010 09:42

MADRI — O regime cubano deveria ir "além da libertação de presos" e "fazer algumas reformas econômicas muito mais claras e rápidas", declarou o ex-alto representante de Política Exterior da União Europeia (UE), Javier Solana, com a aproximação da reunião de chanceleres europeus de segunda-feira.

"Gostaria que (o governo cubano) fosse além da libertação de presos que, claro, é muito importante, porque não deveria haver nenhum", declarou em uma entrevista publicada neste domingo pelo jornal espanhol ABC.

"Mas também deveria começar a fazer algumas reformas econômicas muito mais claras e rápidas. A solução aos problemas cubanos passa por uma mudança e o quanto antes a fizerem, melhor", disse.

Solana respondia a uma pergunta sobre a posição comum que a UE emite periodicamente pedindo às autoridades cubanas que deem passos em direção à democracia.

Na segunda-feira, os ministros das Relações Exteriores dos 27 países da UE se reunirão em Luxemburgo para decidir se mantêm essa posição comum e se negociam um acordo de cooperação com Havana, além de avaliar os passos dados por Cuba nos últimos meses com a libertação de presos políticos.

 
Blogueira de Cuba ensina o ativismo ON-LINE sem Internet PDF Imprimir E-mail
Escrito por Indicado en la materia   
Miércoles, 20 de Octubre de 2010 11:42

Há seis meses, a mais famosa blogueira de Cuba descobriu uma nova forma de se comunicar fora da Ilha. De tanto fuçar em busca de novas possibilidades online, Yoani Sanchéz soube que era possível twittar, postar fotos e vídeos e alimentar seu Facebook de um celular cubano sem 3G, usando apenas os serviços de SMS e MMS..

“Os cubanos, nos anos 90, inventaram o picadinho sem carne, e agora inventam a internet sem internet”, afirmou a blogueira do Generación Y, referindo-se ao “período das necessidades especiais”, quando o país passou por uma grave crise após o colapso da União Soviética, em 1991.

Teclando em um celular sem quase nenhum aplicativo, Yoani demonstra como consegue escrever os 140 caracteres máximos do Twitter usando o Serviço de Mensagem Curta (SMS, na sigla em inglês) por meio de um número no Reino Unido. Pelo Serviço de Mensagem Multimídia (MMS, na sigla em inglês), ela envia fotos ao TwitPic e vídeos ao YouTube.

Em um país onde apenas 2,9% dos 11,2 milhões de cubanos relataram ter tido acesso direto à internet ao longo de um ano, segundo levantamento da Oficina Nacional de Estatísticas (ONE) em 38 mil lares, Yoani vê o celular como mais uma possibilidade de informar ao exterior o que se passa na Ilha. E isso apesar de a telefonia móvel, cuja venda de contas e aparelhos foi liberada pelo presidente Raúl Castro em 2008, também ter uso restrito na Ilha. De acordo com a ONE, só 2,5% dos entrevistados disseram ter celulares.

Segundo a blogueira, como ela só consegue acessar a internet uma vez por semana, o celular é o meio para ter agilidade e divulgar informações urgentes. “São truques do subdesenvolvimento”, afirmou Yoani.

Enquanto isso seu blog, traduzido para 22 línguas por voluntários e pelo qual ela ganhou prêmios como o espanhol Ortega y Gasset, continua sendo a base de “reflexões e opiniões mais sedimentadas”, que recebem em média 2 mil comentários.

Para espalhar a novidade dos recursos SMS e MMS, Yoani deu das 9h às 16h30 de 13 de setembro um curso que chamou de “móvil activismo” (ativismo pelo celular, em tradução livre), “para ensinar outros cubanos a usar a internet prescindindo dela”.

Não foi o primeiro curso ministrado pela blogueira de 34 anos. Entre outubro de 2009 e abril deste ano, ela e voluntários criaram a Academia Blogger para ensinar 32 alunos a escrever códigos no Wordpress e produzir seus próprios diários online.

Uma das estudantes a receber os diplomas certificados pela revista Wired foi a dona de casa Regina Coyula, de 54 anos. Ex-funcionária do Serviço de Contrainteligência de Cuba (equivalente à KGB soviética), Regina criou o blog Malaletra.

Navegar é preciso

Os cursos gratuitos são uma tentativa de disseminar a comunicação online em um país onde os obstáculos para usar a internet são inúmeros. Em Cuba, não se pode contratar uma conexão doméstica. Os únicos com acesso relativamente fácil à web são os estrangeiros residentes, os empregados em determinadas funções no aparato estatal, alguns cientistas, altos dirigentes.

Segundo o marido de Yoani, o jornalista independente Reinaldo Escobar, a situação da internet em Cuba expõe a diferença entre “ter um direito e desfrutar um privilégio”.

Foto: Getty Images

Hotel Plaza, em Havana: Presidente Raúl Castro permitiu em março de 2008 hospedagem de cubanos (04/12/2006)

E, mesmo aqueles que têm acesso, não o têm de todo. A navegação limita-se a sites estatais e a alguns internacionais. O Generación Y, que Yoani começou em fevereiro de 2007 e foi catapultado à fama após ser descoberto pelos jornais Wall Street Journal, New York Times e El País, está bloqueado internamente desde que ela foi premiada com o Ortega Y Gasset, em março de 2008.

Para alimentar o blog, Yoani grava em um pendrive fotos e os textos escritos no computador de casa e acessa a internet de um hotel, cuja entrada antes proibida para cubanos foi liberada por Raúl em maio de 2008. “Ninguém disse que seria permitido usar a internet, mas como a norma deixava que os cubanos se hospedassem, inferimos que também estava liberado o uso da web”, afirmou Yoani, que antes burlava a proibição falando inglês ou alemão para fingir ser turista.

Como a administração de conteúdos no Wordpress é bloqueada em Cuba, a blogueira conta com a ajuda de voluntários para atualizar o blog e “otimizar seu tempo online”. No acesso de US$ 6 a hora, ela envia por email os textos e as fotos para amigos no Chile, Canadá e Espanha, que alimentam o site respeitando as instruções de qual texto postar em cada dia e qual foto usar em cada um deles.

No início do Generación Y, Yoani pagava o acesso à internet, que tem preços proibitivos para o salário médio cubano equivalente a US$ 20, com o dinheiro que ganhava como professora de espanhol para turistas e guia para estrangeiros. Mas, desde o sucesso do blog, ela conseguiu ter mais autonomia colaborando com publicações estrangeiras.

Como exemplo de cubana que pôde prosperar apesar das limitações do sistema, Yoani acredita que a concessão pelo governo de licenças para trabalhos privados trará mais independência a muitos cubanos e eventualmente possibilitará a abertura do regime. “Pessoas sem recursos são dóceis. Com a autonomia econômica vem a autonomia política.”

Última actualización el Miércoles, 20 de Octubre de 2010 11:49
 
‘Lula será lembrado na história cubana como cúmplice da ditadura sanguinária de Fidel e Raúl Castro’ PDF Imprimir E-mail
Escrito por Indicado en la materia   
Martes, 02 de Noviembre de 2010 13:07

A opinião é do dissidente Guillermo Fariñas, laureado nesta semana com um prêmio europeu que homenageia a liberdade de pensamento

O dissidente cubano Guillermo Fariñas enxerga no Prêmio Sakharov 2010 de liberdade de pensamento, concedido a ele pelo Parlamento Europeu na quinta-feira, um reconhecimento internacional à causa dos presos políticos do país. Mas, lamenta que o mundo tenha prestado atenção no problema apenas com a morte do também dissidente Orlando Zapata Tamayo, em fevereiro, após 85 dias em greve de fome.

Fariñas acusa o regime cubano de assassinato e reprova a atitude do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva ao visitar o país logo após a morte de Zapata. Na ocasião, Lula comparou o dissidente aos presos comuns das cadeias brasileiras. “Luiz Inácio Lula da Silva será lembrado na história cubana como cúmplice da ditadura sanguinária de Raúl e Fidel Castro”, disse Fariñas, por telefone, ao site de VEJA. “Com este prêmio em mãos, eu diria a Lula o seguinte: 'Ao deixar o poder, trate de se retificar'. Ele não está sendo capaz de fazê-lo enquanto ainda é presidente do Brasil”, acrescentou.

Fariñas iniciou 23 greves de fome contra a ditadura cubana. A mais recente delas, que durou 135 dias, só foi encerrada quando a Igreja Católica de Cuba anunciou a libertação de 52 presos políticos, em julho último. A seguir, a entrevista completa concedida pelo dissidente:

O que o senhor sentiu ao receber um prêmio que trata da liberdade de pensamento enquanto vive em Cuba, onde tudo é proibido?
O meu primeiro sentimento é de compromisso com a causa cubana, com a democratização do país, com meus irmãos que ainda estão presos, com todos homens e mulheres de boa vontade que querem a democracia na ilha. Creio que este é o meu grande compromisso que tenho.

O senhor dedicou o prêmio a Orlando Zapata, que morreu fazendo uma greve de fome. Foi preciso a morte de um homem para o mundo perceber a situação dos dissidentes cubanos?
Creio que sim. Infelizmente, um de nossos irmãos teve que morrer assassinado de maneira planejada em uma prisão cubana - por fazer uma oposição pacífica - para que o mundo se desse conta de todos os maus tratos que os presos políticos sofrem em Cuba.

O senhor disse assassinado, mas ele morreu por fazer greve de fome...
Sim, mas ele foi chantageado. Zapata tomava água em sua greve de fome. As autoridades cortaram sua água durante muitos dias para que se rendesse. Ele não se rendeu e teve problemas renais que o levaram à morte.

O que o senhor diria ao presidente brasileiro sobre sua conduta ao visitar Cuba logo depois da morte de Zapata?
Luiz Inácio Lula da Silva, que foi preso político e tem memória ruim, veio ao país exatamente quando Orlando Zapata estava sendo assassinado. Ele comparou aqueles que faziam greve de fome pela morte de Zapata com delinquentes de São Paulo. Por isso, Luiz Inácio Lula da Silva será lembrado na história cubana como cúmplice da ditadura sanguinária de Raúl e Fidel Castro. Com este prêmio em mãos, eu diria a Lula o seguinte: 'Ao deixar o poder, trate de se retificar'. Ele não está sendo capaz de fazê-lo enquanto ainda é presidente.

O reconhecimento ao senhor veio pouco depois do Nobel da Paz concedido a outro dissidente, o chinês Lu Xiaobo. É um sinal de que as coisas podem mudar em países, como Cuba e China?
Sim. Mesmo que nossas lutas pareçam impossíveis, nós dissidentes sempre teremos fé que nossas idéias são boas, que são para o bem do mundo. Sempre lutaremos por elas.

O senhor acha que a União Europeia pode mudar a chamada Posição Comum, que determina como o bloco lida com a situação cubana, em uma reunião que será realizada na próxima segunda-feira?
Eu considero que Cuba ainda não fez nada para que a UE levante a Posição Comum. Nossos irmãos que estão presos em Cuba e serão colocados em liberdade estão sendo tratados como moeda de troca pelo governo cubano, como se fossem escravos e reféns do regime. Creio que o governo cubano deixou intactas as leis que lhes permitem prender de maneira arbitrária aqueles que fazem oposição pacífica.

Então o senhor acredita que a libertação dos presos políticos pelos irmãos Castro foi uma maneira de conquistar a simpatia do mundo para obter benefícios políticos?
Sim. O governo usou os dissidentes para reduzir o desprestígio causado pela morte de Zapata e por minha greve de fome. Se o governo cubano realmente quisesse respeitar os direitos humanos, os oposicionistas poderiam expor de maneira pacífica suas opiniões, ter bibliotecas independentes e ler livros censurados pelo regime.

Como o senhor se sentiu antes e depois de sua greve de fome?
Me senti bem, de verdade, porque não pensei que ia morrer, mas sim que estava fazendo o possível pelo bem da minha pátria e para que outros dissidentes não fossem assassinados na prisão.

O que o senhor fará com o prêmio de 50.000 euros?
Não sei exatamente o que vou fazer, mas será algo pela causa dos dissidentes e que traga alguma contribuição à democracia em Cuba.

 
PRÊMIO NÓBEL DE LITERARTURA: "A BANALIZAÇÃO DA CULTURA E O PAPEL DO ESCRITOR" MARIO VARGAS LLOSA PDF Imprimir E-mail
Escrito por Indicado en la materia   
Sábado, 16 de Octubre de 2010 21:08

Vargas Llosa prega a atuação política dos intelectuais e comenta a nova e a velha esquerda na América Latina

A ligação é atendida, e a voz – não apenas do outro lado da linha, mas em outro hemisfério – é educada e cortês ,como a ideia que se faz do homem a quem pertence. O escritor peruano Mario Vargas Llosa diz que estava à espera do telefonema, como havia sido combinado. Preza a pontualidade.

Aos 74 anos, Llosa não esperava receber o Nobel. Seu nome vinha, gradativamente, migrando da categoria dos autores sempre cotados para a lista dos injustiçados pela Academia Sueca. A entrevista vinha sendo combinada havia mais de mês e, finalmente, estava marcada para a manhã de 6 de outubro, menos de 24 horas antes de o peruano ser anunciado como o mais novo Nobel de língua espanhola (e o primeiro latino-americano desde Octávio Paz, em 1990). Ele reside atualmente em Nova York, atuando como professor convidado da conceituada Universidade Princeton. Está ministrando uma cátedra de romance e outra sobre Jorge Luis Borges (que definiu na entrevista como seu “antípoda”).

Ao longo de 32 minutos de conversa telefônica, Vargas Llosa falou sobre banalização e superficialização da cultura, de sua obra, seus projetos literários, seu livro de ensaios sobre a América Latina que está saindo agora no Brasil e o romance que será publicado em breve em espanhol. – Não me faltam projetos para escrever, o que me falta é tempo para realizá-los – afirmou, pouco antes de dizer, também com a educação de um lorde, que seu tempo para a entrevista estava acabando. Precisaria sair.

A gradual perda de importância da literatura no cenário contemporâneo seria um sintoma dessa superficialização?

Vargas Llosa – Creio que há duas vertentes nesse fenômeno. Uma é um esforço da cultura para chegar a um maior número de pessoas. No passado, a cultura era um fenômeno restrito a uma minoria social, da qual estava praticamente apartada a maior parte da sociedade. Felizmente, em nossa época a cultura foi conquistando cada vez mais adeptos e chegando a setores mais amplos da sociedade, o que é, desde já, positivo. Mas, ao mesmo tempo, se a ideia de cultura persegue só um objetivo quantitativo, de chegar de qualquer forma ao maior número de pessoas, ainda que para isso tenha que mirar cada vez mais baixo, ela perde sua razão de ser e se converte em puro espetáculo, puro entretenimento. Apagam-se um pouco as fronteiras entre o que é preocupação e diversão, seriedade e comicidade. Isso vem ocorrendo não apenas nos campos específicos das artes, na pintura, por exemplo, onde temos visto a ocorrência de falsos valores que são imensamente populares por seu caráter espetacular, chamativo, ainda que careçam de originalidade, de frescor, de profundidade. Ainda que isso seja mais visível na pintura, também se manifesta numa literatura mais “cintilante”, digamos, mas menos profunda, menos permanente, muito mais subordinada ao momento. E isso ocorre em outros campos também, que aparentemente não têm nada a ver com a criação literária ou artística, como a política. A política também se frivolizou, se banalizou. Curiosamente, a extensão da democracia, que foi algo tão positivo, atraiu, também, uma certa banalização da política, e é isto que está por trás de uma apatia muito grande em participar ativamente na vida política, nas eleições, nas diferentes instituições. Esse é um fenômeno que abarca por igual tanto o mundo desenvolvido quanto o em desenvolvimento. Ocorre com a religião e a moral, por exemplo. Estas atividades também sofreram o contágio da banalização, da trivialização. É um fenômeno que sofrem, com seus matizes e diferenças, praticamente todos os países.

Mas isso que o senhor determina como apatia política não é a normalidade democrática, a aceitação de que pela via democrática as transformações se dão de forma mais lenta do que o ímpeto do engajamento imagina?

Vargas Llosa – Sobretudo em países como os nossos, em que a democracia é jovem, em que tivemos regimes autoritários que eclipsavam a vida política, a participação, a possibilidade de criticar, de eleger – seria nesses países que, ao contrário, a democracia deveria ser celebrada e atrair participação massiva. Precisamente porque a democracia permite a todos os cidadãos intervir de maneira ativa e criativa na tomada das decisões em todos os âmbitos da vida, o social, o econômico e o cultural. E, curiosamente, esse fenômeno não ocorreu, a não ser de maneira muito transitória, seguido, logo depois, por uma espécie de decepção, de desencanto, de frustração com essa liberdade, esse pluralismo político, esses governos civis nascidos de eleições que se ambicionam tanto quando vivemos sob ditaduras. Creio que isso é um produto dessa banalização da vida em geral, da cultura no sentido mais amplo da palavra, que tem tal efeito na vida política. O que é muito perigoso enquanto nossas democracias forem tão frágeis e tão pouco arraigadas. Também o que está ocorrendo no campo da educação é definitivo para o progresso de todas as sociedades a longo e médio prazo. E se a educação se vê afetada por esse processo de superficialidade da cultura, é o futuro de toda a sociedade que está comprometido.

O senhor ainda mantém a ideia defendida ao longo de sua carreira do escritor como um ser político, tanto em sua obra quanto fora dela?

Vargas Llosa – Acredito que o escritor é um cidadão e tem a obrigação moral de participar da vida cívica. Não que ele precise se comprometer como político profissional, não é a isso que me refiro, mas, sim, tem de participar de alguma maneira do debate público, do debate cívico, utilizar as tribunas que um intelectual tem a seu dispor tanto para defender aquilo que acha que tem de defender quanto para criticar o que lhe parece que anda mal. O que eu censuraria seria a abstenção, a indiferença de um intelectual pela vida cívica. Creio que isso não se justifica. Porque se alguém volta as costas à problemática social e política não tem o direito de protestar quando aparecem demagogos, governantes ladrões ou arbitrários. Simplesmente pelo fato de ter tribunas e poder falar a um público mais amplo é que escritores e intelectuais deveriam pelo menos participar do debate público, tratando, por exemplo, de limpar a linguagem dos lugares-comuns, dos clichês que perturbam tanto a linguagem política. Nesse campo, o escritor pode prestar um serviço à vida cívica, fazendo com que prevaleçam as ideias sobre a retórica insossa e demagógica.

Esse é um compromisso cada vez menos praticado pelos escritores.

Vargas Llosa
– Efetivamente, mas creio que isso é produto dessa banalização da cultura, que afeta também os intelectuais e escritores e os faz ver com um certo cinismo, com certa distância ou desprezo tudo que é atividade política ou cívica. E aí há um grande perigo, porque essa é uma das circunstâncias em que a política pode cair em mãos de seitas de demagogos ou fanáticos.

A última década viu o surgimento de governos latino-americanos que representam modelos diferentes da esquerda. Como o senhor analisa essa mudança no cenário político do continente?

Vargas Llosa – Há na América Latina uma esquerda que está jogando com as regras democráticas, como seria o caso do Chile na época da Concertación, na época de Lagos e Bachelet. O Brasil é um caso muito interessante, com Lula, pois subiu ao poder alguém que estava muito à esquerda e que logo se voltou para uma linha centrista sem renunciar às ideias de compromisso social, fez uma política de mercado, de apoio à empresa privada. É o que está ocorrendo também no Uruguai, porque lá subiu ao poder uma esquerda muito radical que está respeitando a democracia, o mercado, a propriedade privada. Na América Latina, esse tipo de esquerda deve ser saudada, porque fortalece a democracia, como também a fortalecem os governos de direita que respeitem as regras democráticas, como em Chile, Colômbia, Peru. Agora, há uma outra esquerda que é a antidemocrática, revolucionária, em Cuba, Venezuela, Nicarágua. É uma esquerda, digamos, mais pré-histórica, que quer acabar com a democracia, estabelecer ditaduras sociais, uma esquerda que cada vez tem menos partidários porque é muito difícil que ainda possa despertar ilusões de justiça e de prosperidade um modelo como o cubano, onde o povo está morrendo de fome e a ditadura está se desfazendo sozinha, simplesmente pela incapacidade de resolver os problemas mais elementares. Creio que essa América Latina está de saída, vai perder cada vez mais fogo, impulso, apoios, e a longo prazo prevalecerá uma democracia com uma esquerda e uma direita que tenham aprendido as lições da história: que os problemas não se resolvem com homens fortes, com ditaduras, sejam militares, sejam revolucionárias, mas, sim, através dos grandes consensos que a democracia permite, com sociedades abertas, com governos que podem ser eleitos, criticados e renovados. Esse é o caminho do progresso, e, afortunadamente, uma boa parte da América Latina o está seguindo.

Essa circunstância política associada aos efeitos da crise imobiliária de dois anos atrás nos países desenvolvidos mostra que a América Latina pode estar se convertendo em um laboratório para a democracia?

Vargas Llosa
– Sim, veja como é interessante: a América Latina resistiu à crise muito melhor, pois estava melhor defendida que os países mais antigos, mais prósperos, mais sólidos. Na América Latina, esses efeitos foram menos sentidos. Parece mentira, mas houve em geral no continente uma série de políticas anteriores responsáveis, sobretudo no campo financeiro.

O senhor já abordou em seus livros a formação da América Latina, a questão indígena, o poder caudilhesco no continente, o erotismo. Quais temas ainda lhe interessam para a sua ficção?

Vargas Llosa – Está saindo agora, no começo de novembro, um romance no qual venho trabalhando nos últimos três anos, que se chama El Sueño del Celta, porque o protagonista é um um irlandês, um personagem histórico que se chamava Roger Casement. Ele foi amigo de Joseph Conrad, viveu muito tempo no Congo como diplomata britânico e estudou com muitos detalhes todas as atrocidades cometidas na África na época da colonização belga, particularmente pelas empresas de extração de borracha. E as denúncias que ele fez tiveram um enorme efeito na Europa, tanto que o governo britânico o enviou para a Amazônia. Esteve nas amazônias brasileira, peruana, colombiana, estudando as condições de vida dos indígenas nas companhias borracheiras. São muito interessantes os informes que esse senhor escreveu sobre o que ocorria no mundo amazônico com os índios e, particularmente, o funcionamento da indústria da borracha. À parte deste trabalho de defesa dos direitos humanos, de crítica contra a colonização, ele trabalhou também, secretamente a princípio, e depois publicamente, pela independência da Irlanda. Meu livro é um romance, mas utiliza materiais históricos e segue pelo menos os fatos históricos básicos de seu tempo. Foi uma experiência muito interessante, porque me fez investigar, viajar, adentrar em mundos que eu não conhecia, como a África e a Irlanda. Então, para mim foi também uma aventura pessoal escrever esse livro. Deve sair no Brasil em 2011.

O personagem de alguma forma reflete sua própria condição de autor latino-americano radicado na Europa e nos Estados Unidos. O senhor, hoje, teria esse olhar do “estrangeiro viajante” ao mirar a América Latina?

Vargas Llosa – Bem, eu nunca me senti estrangeiro em parte alguma. A verdade é que, sem haver me proposto a isso, mas pela vida que levei e pela minha forma de pensar, me senti um cidadão do mundo, me senti em casa em todo lugar em que estive. Em algumas partes com mais alegria e contentamento do que em outras, mas, na verdade, eu nunca senti essa sensação do estrangeiro, de alguém apartado completamente da sociedade em que está. Sempre fiz o possível para me interessar por tudo o que ocorria ao meu redor e para me solidarizar de imediato com os problemas e as oportunidades que o meio no qual estava oferecia. E acho que isso se reflete em meus livros, também.

Seu livro que está sendo lançado agora no Brasil, Sabres e Utopias, reúne textos e artigos de praticamente toda sua carreira de escritor. É um testamento intelectual?

Vargas Llosa – É uma coletânea de ensaios e artigos de diferentes temáticas, políticas, econômicas, culturais, literárias. Eu não fiz a seleção, quem os reuniu foi Carlos Granés, escritor colombiano que é crítico e conhece muito minha obra. É interessante a maneira como ele organizou o livro. Creio que da forma como ele o montou é possível ver toda uma trajetória, tanto literária quanto política. Sim, a coletânea é, de certa forma, uma autobiografia intelectual, mas feita por uma pessoa independente. Facultei a ele todo o material, mas não interferi em nada, deixei que ele atuasse com toda liberdade. E resultou num testemunho autobiográfico de uma maneira de reagir, de pensar diante de diferentes temas

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