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Artigos: Brasil
Vontade de gritar PDF Imprimir E-mail
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Domingo, 28 de Febrero de 2010 16:06

Por YONAI SÁNCHEZ

A vida nunca volta à normalidade. Não retorna a este momento antes da tragédia que agora – ilusoriamente – evocamos como um período de calma. Abro a agenda, tento renovar minha vida, o blog, as mensagens no Twitter… Porém nada consigo. Estes últimos dias foram muito intensos. Só tenho cabeça para rememorar o rosto, nas penumbras, de Reina Tamayo ante o necrotério, onde preparou e vestiu seu filho para a mais longa viagem. Depois se acumulam as imagens da quarta-feira: detenções, golpes, violência, um calabouço fedendo a urina que era próxima de outro onde Eugenio Leal e Ricardo Santiago exigiam seus direitos. O resto do tempo tem sido caminhar como uma boneca, olhar sem ver, teclar com fúria.

Desse modo não há quem escreva uma linha coerente e moderada. Tenho tanta vontade de gritar, porém fiquei rouca em 24 de fevereiro.

Traduzido por Humberto Sisley de Souza Neto

Última actualización el Domingo, 28 de Febrero de 2010 16:07
 
ATRAÇÃO FATAL PDF Imprimir E-mail
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Lunes, 01 de Marzo de 2010 01:17

Por MARY ZAIDAN

A indignação que atos de repressão, cerceamento de liberdades, prisões arbitrárias e assassinatos por discordância a regimes autoritários provoca à maioria dos mortais parece pouco incomodar o governo do presidente Lula.

O vexame de Cuba nesta semana foi só mais um exemplo.

A postura de Lula, impassível e mudo, submisso aos absurdos de Raúl Castro quando este acusava os Estados Unidos pela morte de Orlando Zapata Tamayo – mais uma entre as centenas de vítimas do regime cubano -, e as declarações levianas do assessor para assuntos internacionais Marco Aurélio Garcia – “Há problemas de direitos humanos no mundo inteiro” – traduzem tudo.

É o retrato do desatino da partidarização da política externa do Brasil, para arrepio de José Maria da Silva Paranhos Junior, o Barão do Rio Branco, formulador e patrono da até então tão consistente e respeitada diplomacia brasileira.

Antes de deixar a ilha, Lula até tentou dourar a pílula. Correu longe dos jornalistas de sua pátria e escolheu uma agência internacional de notícias (France Press) para lamentar a morte de Tamayo “por greve de fome”.

E tergiversou quanto à responsabilidade do regime cubano, limitando-se a declarar que é um defensor dos direitos humanos.

Mas qual o quê.

O Itamaraty de Lula parece ter uma opção preferencial por todo o tipo de ditaduras.

Defende como democráticos regimes travestidos como a Venezuela, que prende e arrebenta, fecha emissoras de rádio e TV, expatria e mantém na cadeia, segundo a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, pelo menos 40 presos políticos.

Simplesmente porque ousaram criticar o governo “revolucionário” de Hugo Chávez.

Namora e afaga Irã, Sri Lanka, Coréia do Norte, Mianmar (ex-Birmânia) - um regime militar que se arrasta há 20 anos, condenado pela ONU por manter mais de dois mil presos de etnias minoritárias. A junta militar de Mianmar promete eleições para este ano e acena com a abertura de suas prisões.

Mas até agora pouco fez. Tem libertado presos a conta-gotas, não marcou data para o pleito e criou regras que impedem a participação ampla nas eleições.

Ainda assim, Lula já aprovou e vai instalar lá uma embaixada brasileira, o que também deve acontecer na Coréia do Norte.

Mesmo com todas as provas de fraudes nas eleições do Irã, apressou-se em legitimar o governo de Mahmoud Ahmadinejad, recebido em solo brasileiro como chefe de Estado e, portanto, merecedor de visita de retribuição.

“Gesto de confiança” que, inexplicavelmente, não se tem com Honduras. O novo presidente hondurenho, Porfírio Lobo, eleito por sufrágio universal, só não foi reconhecido pelo eixo “bolivariano” liderado por Chávez (Bolívia, Equador, Nicarágua, Cuba), pelo México e pelo Brasil.

Neste caso, talvez o Governo Lula só esteja dando tempo ao tempo para apagar a vergonha de ter sido constrangido por Chávez, permitindo que a embaixada brasileira de Tegucigalpa virasse residência e comitê político de resistência para Manoel Zelaya.

A boa vontade com regimes execráveis ultrapassa todos os limites, até o de se eximir sobre a condenação do sanguinário Sudão na Comissão de Direitos Humanos da ONU. Uma omissão que corrobora com o genocídio de mais de 300 mil pessoas.

Pior ainda são os argumentos para justificar o injustificável. Com destreza impressionante, o governo Lula maltrata a inteligência dos brasileiros e tenta sempre inverter a lógica em seu favor.

Assim como transformou corrupção – caixa 2 de campanha, aliciamento e compra de votos - em prática cotidiana, com um simples “todo mundo faz”, não vê problema algum na violação de direitos humanos, já que isso acontece “no mundo inteiro”.

Diante desse cenário, o patético espetáculo de tietagem explícita, em que o presidente e seu ministro de Comunicação Franklin Martins se comportam como ginasianos nas fotografias ao lado do ditador Fidel, é só mais um episódio da atração fatal que o governo Lula tem por regimes que prendem e matam gente que deles discorda.

 

Mary Zaidan é jornalista. Trabalhou nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, em Brasília. Foi assessora de imprensa do governador Mario Covas em duas campanhas e ao longo de todo o seu período no Palácio dos Bandeirantes. Há cinco anos coordena o atendimento da área pública da agência 'Lu Fernandes Comunicação e Imprensa'.

Última actualización el Lunes, 01 de Marzo de 2010 01:19
 
Testemunho da mãe de Orlando Zapata Tamayo PDF Imprimir E-mail
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Domingo, 28 de Febrero de 2010 16:03

Por YOANI SÁNCHEZ

Esta tarde (23/2), horas depois da morte de Orlando Zapata Tamayo, Reinaldo e eu pudemos aproximar-nos do departamento de Medicina Legal na rua Boyeros.

Última actualización el Domingo, 28 de Febrero de 2010 16:08
 
Fome de Liberdade PDF Imprimir E-mail
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Lunes, 01 de Marzo de 2010 01:12

Por LUIS LEITÃO

Enquanto o presidente e seu séquito Lula se congratulavam com o comandante Fidel Castro, morria, após 85 dias de greve de fome, o preso político Orlando Zapata Tamayo.

Lula, que ficou detido no DOPS em São Paulo, em 1980, durante meros 29 dias, e fez uma encenação que chamou de "greve de fome", por uma ironia do destino, visitava Cuba exatamente no dia que o preso político Orlando Zapata Tamayo morria de...fome. O homem do fracassado Fome Zero dava as costas ao herói que atribuiu mais valor à liberdade que à vida.

Não deve ser mole morrer de fome. Um tiro impressiona, mas é rápido, misericordioso, até. Mas a fome voluntária de Orlando transcende nossa vã imaginação do que é sofrimento, expõe a pequenez do poderoso, desarma o mais cruel algoz.

Um bilhão de pessoas corre esse risco diariamente, um sexto da humanidade, por falta de opção e oportunidades, mas principalmente pela indiferença geral escondida nas vãs promessas de ajuda financeira descumpridas ano sim, outro também, que não é maior nem menor que a de Lula, nem mais ou menos hipócrita.

Greves de fome, em geral, não passam de chantagens - quantas vezes o leitor soube de alguém que morreu em decorrência de greve de fome? -, maneiras de chamar atenção; têm até um quê de ridículo, como aquela do ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, que chegou a fazer-lhe algum bem ao tornar sua silhueta mais esbelta, ainda que fugazmente.

Esse jejum radical do cubano Orlando Tamoyo foi um suicídio, de certo ponto de vista, mas seu martírio deve ter sido movido por aquele sentimento do "alguém tem que fazer", e ele fez, chamou a atenção para a escandalosamente óbvia torpeza do regime dos Castro. Não revelou nada inédito, à exceção de sua coragem, num forte contraste com a covardia do governo liberticida, sempre festejado por nossa trôpega diplomacia.

A frieza de Lula, a estupidez de Marco Aurélio Garcia, mera repetição do episódio da tragédia de Congonhas - "Há problemas de direitos humanos no mundo inteiro" -, não mais causam espécie. Apenas envergonham o povo brasileiro.

Enfim, Orlando Tamayo morreu de fome; fome de liberdade.

Última actualización el Lunes, 01 de Marzo de 2010 01:15
 
Regressaram PDF Imprimir E-mail
Escrito por Fuente indicada en la materia   
Jueves, 18 de Febrero de 2010 15:08

Por YONAI SÁNCHEZ

Planícies, neve, maçãs e o ruído de um machado que cortava a lenha em pedaços desiguais. Dessas imagens e sons alheios nossa infância se nutriu devido a presença excessiva da União Soviética na Cuba dos anos setenta e oitenta. Tiritávamos de frio olhando os desenhos animados checos e búlgaros, enquanto fora o sol do trópico nos recordava que continuávamos no Caribe. Aguns soubemos dizer primeiro “koniec” do que articular o monossílabo “fim”, até que um dia os ursos emigraram, deixando-nos sem os filmes de soldados vitoriosos e mujiques sorridentes.

Depois de 1991 as abundantes tiragens da editora russa MIR só podiam ser encontradas nas livrarias de segunda mão sob o manto empoeirado do abandono. Neste fevereiro, contudo, a Feira Internacional do Livro dedicou sua XIX edição ao país que durante décadas foi mentor e suporte econômico do processo cubano. Os camaradas que anteriormente pagavam pelo nosso açúcar preços astronômicos - enquanto nos vendiam seu petróleo por uma bagatela - retornaram vestidos de terno e gravata. Aterrizaram na iha que uma vez subsidiaram, porém desta vez para comercializar suas obras impressas em cores brilhantes e temáticas alheias ao marxismo.

Na esplanada da Fortaleza de la Cabaña se entrecruzaram as longas filas para comprar os novos títulos chegados do Leste. Meninos aqui e alí folheam as páginas onde aparecem espigas de milho douradas e gente coberta por chapéus com enormes protetores de orelhas. Porém já não é o mesmo. A presença obrigatória que uma vez essa iconografia teve em nossas vidas é, para esses pequeninos de hoje, mera curiosidade pelo exótico. Em suas mentes infantis, os abetos não substituirão as palmeiras nem as raposas as lagartixas; Rússia será para eles só uma região longínqua e diferente.

Traduzido por Humberto Sisley de Souza Neto

Última actualización el Jueves, 18 de Febrero de 2010 15:10
 
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