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Artigos: Brasil
A agonia do Brasil PDF Imprimir E-mail
Escrito por Indicado en la materia   
Jueves, 23 de Julio de 2015 13:43

Por Juan Arias.-

Poucos dias atrás, o ex-presidente Lula se reuniu em Brasília com a presidenta Dilma Rousseff e os seus ministros mais próximos para lhes dar um recado contundente: “A agenda do Governo do Brasil não pode ser ocupada pela Operação Lava Jato”, que investiga a corrupção na Petrobras e está prendendo dezenas de políticos e grandes empresários do país. Lula acrescentou: “Saiam às ruas e mostrem as obras realizadas pelo Governo.”

Pouco depois, chegou a notícia de que a Procuradoria da República do Distrito Federal abriu inquérito também contra Lula por suposto tráfico de influência internacional. Na mesma hora, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, do PMDB, o maior partido aliado do Governo, era acusado por um dos empresários presos de ter recebido 5 milhões de dólares em propina no escândalo da Petrobras. Foi praticamente sua morte política.

A opinião pública está desconcertada diante do quadro de incertezas vivido pelo Brasil, que enfrenta uma dura crise econômica e outra política já considerada uma das mais graves de sua história democrática.

É difícil imaginar como o Brasil poderá sair do quebra-cabeça em que as maiores autoridades políticas aparecem sob suspeita de ilegalidades e corrupção.

Já são dois ex-presidentes (Fernando Collor e Lula) sob investigação, assim como as maiores autoridades do Estado, a presidenta Dilma, os presidentes da Câmara e do Senado e outros 30 deputados e senadores de vários partidos.

A pergunta feita pelos brasileiros é quem ainda tem autoridade no Estado para oferecer um mínimo de confiança à sociedade, que já convocou para 16 de agosto uma nova manifestação nacional –apoiada pela oposição – contra o Governo, a crise econômica e a corrupção. O único aplauso hoje da sociedade é para os juízes, que pela primeira vez estão enfrentando os políticos e empresários acusados de corrupção.

O Ministro da Economia, o banqueiro liberal Joaquim Levy, tem se esforçado para fazer um mínimo de ajustes econômicos a fim de conter a sangria da dívida pública e tentar fazer o país voltar a crescer. Seu temor é que o Brasil perca o nível de investimentos – medo que ele mesmo confessou aos parlamentares.

A crise dividiu seriamente a irritada sociedade entre os que exigem uma mudança de governo e os que acusam a oposição de “golpismo”

Os esforços de Levy têm sido freados pela disputa entre o Congresso e o Governo, que perdeu a maioria do apoio e não faz mais do que colecionar derrotas.

Este é, de fato, um momento de certa agonia para o Brasil. A crise dividiu seriamente a irritada sociedade entre os que exigem uma mudança de governo e os que acusam a oposição, sobretudo a do PSDB, de “golpismo” e de não aceitar o resultado das urnas, que deu vitória a Dilma.

A abertura do inquérito contra o carismático Lula traz um novo fator de instabilidade, pois ainda não é possível saber qual será a reação do seu partido e dos movimentos sociais. Ao mesmo tempo, afasta a possibilidade da candidatura de Lula em 2018, que acabava de ser lançada por seus correligionários do PT.

Já se chegou a dizer que existem seguidores de Lula “dispostos a morrer” por ele, enquanto fica cada vez mais evidente o seu divórcio com Dilma.

Lula, que foi sempre um dos mais hábeis estrategistas da política brasileira, tem preferido, até agora, a prudência do silêncio.

EL PAIS; ESPANHA

 
Cinco erros de Obama em sua nova política sobre Cuba PDF Imprimir E-mail
Escrito por Indicado en la materia   
Domingo, 18 de Enero de 2015 21:23

Por Carlos Alberto Montaner.-

A visita a Cuba de Roberta Jacobson, secretária de Estado adjunta dos EUA para o Hemisfério Ocidental, enviada para retomar oficialmente o diálogo com a ditadura dos Castro, marcada para o dia 21 de janeiro, será problemática.

A diplomata, sempre muito preocupada com temas de direitos humanos, chega à ilha em uma posição muito delicada, já que o presidente Barack Obama entregou, previamente, todas as bases de negociação com as quais os Estados Unidos contavam. Jacobson terá contra si, pelo menos, os cinco piores erros de Obama em sua nova política cubana.

Última actualización el Sábado, 31 de Enero de 2015 13:12
 
Exercícios para sobreviver PDF Imprimir E-mail
Escrito por Indicado en la materia   
Domingo, 28 de Junio de 2015 11:32

Por Mario Vargas Llosa.-

Quando, aos vinte anos, Jorge Semprún decidiu juntar-se a um dos grupos da Resistência francesa contra o nazismo, o chefe da Jean-Marie Action, a rede da qual faria parte, o advertiu: “Antes de aceitar, você deve saber onde está se metendo”. E o apresentou aTancredo, um sobrevivente das torturas às quais a Gestapo submetia os combatentes do maquis que capturava. Semprún sofreria na pele as atrocidades descritas por ele, dois anos mais tarde, quando, a partir da delação de um infiltrado, os nazistas o emboscaram na chácara de Joigny onde se escondia.

O pesadelo transformou-se em realidade: a imersão nas águas geladas de uma banheira cheia de lixo e excremento; a privação do sono; as unhas arrancadas; o crepitar de todos os ossos do esqueleto ao ser pendurado no teto com os calcanhares amarrados às suas mãos; as descargas elétricas e as surras selvagens em que o desmaio chegava como uma libertação.

Nunca antes de escrever esse livro, que foi publicado postumamente na França (Exercices de Survie), Jorge Semprún havia falado em primeira pessoa da tortura, do horror extremo a que pode ser submetido um ser humano, de quem os carrascos não só querem tirar informação, mas também humilhar, torná-lo indigno e traidor de seus irmãos de luta. Mas, embora nunca falasse dela em nome próprio, aquela experiência o acompanhou como uma sombra e supurou em sua memória todos os anos de sua juventude e maturidade, na Resistência, no campo nazista de Buchenwald e em suas constantes visitas clandestinas à Espanha como enviado do Partido Comunista, para construir laços entre os dirigentes no exílio e os militantes no interior. Nesse livro inconcluso, somente esboçado, e no entanto lúcido e comovedor, Semprún revela que a tortura – a lembrança das que sofreu e a perspectiva de voltar a suportá-las – foi a mais íntima companheira que teve entre os vinte e os quarenta anos de idade. Descreve-a como o apogeu da ignomínia exercitada pela besta humana transformada em carrasco, e como a prova decisiva para, superando o espanto e a dor, alcançar os maiores valores de decência e dignidade.

Em suas reflexões sobre o significado da tortura não há autocompaixão nem arrogância, mas um pensamento que ultrapassa a superficialidade e chega ao fundo da condição humana. Em Buchenwald, seu chefe no grupo de resistência o parabeniza por não ter delatado ninguém durante os suplícios – “Nem sequer foi necessário mudar os esconderijos e as senhas”, diz –, e o comentário de Semprún não pode ser mais lacônico: “Fiquei feliz em ouvir isso”. Em seguida, explica que a resistência à tortura é “uma vontade inumana, sobre-humana, de superar o padecido, da busca por uma transcendência” que encontra sua razão na descoberta da fraternidade.

Resistiram para que não fosse a força bruta, mas sim o espírito racional que primasse neste mundo

Submetido à dor, um ser humano pode ceder e falar. Mas também pode resistir, aceitando que a única saída daquele sofrimento selvagem seja a morte. É o momento decisivo, em que o farrapo ensanguentado derrota o torturador e o aniquila moralmente, ainda que seja este quem transforme aquele em cadáver e depois saia dali para tomar uma bebida tranquilamente. Nessa vitória silenciosa e atroz, o humano se impõe ao inumano, a razão ao instinto bestial, a civilização à barbárie. Graças à existência de seres assim, ainda se pode viver no mundo.

Régis Debray, autor do prefácio de Exercices de Survie, faz bem ao comparar Jorge Semprún a André Malraux, que também sofreu as torturas dos nazistas sem falar (seus carrascos não sabiam quem era a pessoa que torturavam) e, como aquele, foi capaz de transformar “a experiência em consciência”. Na Espanha, esse também foi o caso de George Orwell, que quase foi morto por seus próprios companheiros, pelos quais tinha ido lutar, e de Arthur Koestler, esperando em sua cela de Sevilha a ordem de fuzilamento emitida pelo general Queipo de Llano. Eles, e milhares de seres anônimos que, em circunstâncias parecidas, agiram com a mesma coragem, são os verdadeiros heróis da história, com mais pertinência que os heróis épicos, vencedores ou perdedores de grandes batalhas, vistosas como as superproduções cinematográficas. Não costumam ter monumentos, e a grande maioria nem sequer é lembrada ou mesmo conhecida, porque atuaram no mais absoluto anonimato. Não queriam salvar uma nação nem uma ideologia; queriam apenas que não fosse a força bruta, e sim o espírito racional e o sentimento que primassem neste mundo sobre o preconceito racista e a intolerância criminosa perante o adversário político, a civilização criada com enormes esforços para tirar os seres humanos do estado primitivo e organizar suas sociedades a partir de valores que permitam a coexistência na diversidade e façam diminuir (já que erradicá-la totalmente é impossível) a violência nas relações humanas.

Jorge Semprún foi um desses heróis discretos, graças aos quais o mundo em que vivemos não está pior do que está e continua tendo um lugar para a esperança. Nascido numa família abastada, decidiu desde muito jovem, sacrificando sua vocação pela filosofia, militar no Partido Comunista e desaparecer na clandestinidade usando pseudônimos, lutando contra o nazismo e o franquismo, sofrendo por isso o inferno da tortura, do campo de concentração, muitos anos de clandestinidade que o fizeram viver desafiando diariamente longos anos de prisão e uma morte horrível. E tudo isso para quê? Para descobrir, quando adentrava a etapa final de sua existência, que o ideal comunista a que tanto havia se dedicado estava corrompido até a medula e que, se triunfasse, teria criado um mundo talvez ainda mais discriminatório e injusto que o que ele queria destruir.

Embora o autor evoque o mais horrível dos temas, o leitor termina o livro sem cair na desesperança

Alguns ex-comunistas se suicidaram e outros ruminaram sua frustração na neurose ou num silêncio lacerante. Mas não Jorge Semprún. Ele continuou lutando, tentando explicar o que afinal havia compreendido, em livros que são testemunhos extraordinários de como a verdade pode de vez em quando ser fugaz, e de como muitas vezes ela e a mentira se misturam de um modo que parece impossível identificá-las. Sem cair nunca no pessimismo, encontrando razões suficientes para continuar militando por um mundo melhor, ou ao menos mais tolerável, com menos injustiças e menos violência, e mostrando que sempre é possível resistir, corrigir, reiniciar essa guerra em que só podemos observar vitórias momentâneas, porque, como diz Borges no poema ao seu bisavô que lutou em Junín, “a batalha é eterna e pode prescindir da pompa, de visíveis exércitos com clarins”.

Embora o último livro de Semprún evoque o mais espantoso dos temas – a tortura –, o leitor chega ao final sem cair na desesperança, porque, além da brutalidade e da maldade demoníacas, há também em suas páginas idealismo, generosidade, valentia, convicção moral e razões sólidas para sobreviver.

EL PAIS; ESPANHA

 
Tática de Lula: gritar que é o próximo para ver se não é o próximo. Ou: Lula está com medo! PDF Imprimir E-mail
Escrito por Indicado en la materia   
Sábado, 20 de Junio de 2015 16:12

Por Reinaldo Azevedo.-

Escrevi ontem um post cujo título é este: “Primeira pergunta já tem resposta: ‘Quando vão pegar a Odebrecht?’. A segunda segue sem resposta: ‘Quando vão pegar Lula?’”. Leio agora na Folha que Lula diz a aliados que é ele o próximo alvo da Lava-Jato. O alarme soou no Palácio do Planalto. Se “pegarem” Lula, é claro que o governo Dilma vai junto. O ex-presidente está recorrendo a uma tática: ao anunciar que pretendem atingi-lo, denuncia uma suposta perseguição, buscando, então se proteger. Será que vai ser bem-sucedido? Vamos ver.

A Operação Lava-Jato segue, afinal, com o seu mistério, não é? Os políticos mais graduados que estão sob investigação são o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), hoje, respectivamente, presidentes da Câmara e do Senado. À época em que teriam cometido as irregularidades de que são acusados, nem exerciam essa função.

Se a Lava-Jato fosse um romance policial, seria de péssima qualidade porque o roteiro é inverossímil a mais não poder. Que se cometeram crimes em penca, não há a menor dúvida. Um simples gerente de Serviços se dispôs a devolver US$ 97 milhões. Naquele ambiente de esbórnia, dá para imaginar o que não terão feito os que tinham o mesmo caráter que ele, mas com mais poder.

Quando se olha a lista das pessoas sob investigação, os leitores desse romance seriam convidados a acreditar que um esquema multibilionário de fraudes foi urdido por uns dois ou três políticos à época de médio porte, um monte de parlamentares de terceira linha — a maioria ligada ao PP, um partido que é periferia do poder, um grupo enorme de empreiteiros malvados mais alguns diretores larápios. E pronto! Desde que a operação começou, em março do ano passado, pergunto: CADÊ O PODER EXECUTIVO? Não existe. É impressionante, mas nem José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras no período daquela soma de desatinos, é investigado. E olhem que poucos presidentes das estatal foram tão autocráticos como este senhor.

É evidente que essa história não fecha! Então as empreiteiras teriam se unido num cartel para assaltar a Petrobras. Para que prosperassem no seu intento, tinham de contar com a colaboração de diretores safados. Eis que os safados estão lá, do outro lado do guichê, devidamente nomeados pelo… Poder Executivo, certo? Tudo coincidência, né? As empreiteiras cartelizadas teriam tido a sorte de os políticos terem nomeado justamente os larápios de que precisavam. Tenham paciência! Aí se descobre que boa parte dos desvios era carreada para partidos políticos. Mas nada de o Executivo entrar na história.

De volta a Lula
É claro que essa narrativa não para em pé, Santo Deus! E é justamente essa inverossimilhança que deixa Lula em pânico. Ele sabe que ninguém com um mínimo de miolos aposta que tudo não passou de um conluio entre empreiteiros, servidores corruptos e políticos sem importância. Algo da magnitude do petrolão não se faz sem a colaboração de alguém — ou “alguéns” — com efetivo poder no governo e na Petrobras.

VEJA

Por Reinaldo Azevedo

 
Como promover a democracia sem falar de democracia PDF Imprimir E-mail
Escrito por Indicado en la materia   
Jueves, 02 de Julio de 2015 11:57

Por .-

Um fio conecta as negociações em Viena sobre o programa nuclear doIrã e a reabertura das embaixadas dos Estados UnidosCuba, que o presidente Barack Obama anuncia nesta quarta-feira em Washington. O espírito que inspira ambas as iniciativas é o mesmo. Em 2008, durante a campanha eleitoral que o levou à Casa Branca, Obama prometeu dialogar com países inimigos. E cumpriu a promessa. A Casa Branca espera que o diálogo leve à democratização de Cuba e a uma melhora das relações com o Irã que ajude a estabilizar o Oriente Médio.

Os Estados Unidos romperam relações diplomáticas com Cuba em 1961, após a revolução. Com o Irã, o rompimento aconteceu em 1980, depois de outra revolução. Em ambos os casos, a superpotência da Guerra Fria perdeu um parceiro de valor estratégico e viu como caía na órbita de movimentos hostis, o comunismo e o islamismo. Em 1977, Cuba abriu um departamento de interesses em Washington que fazia algumas funções da embaixada. A antiga embaixada do Irã em Washington continua vazia.

Apesar das diferenças, em Teerã e em Havana, em Washington e em Viena, o resultado hoje é o mesmo: a eficácia da doutrina Obama

As diferenças entre o degelo cubano e o iraniano são notáveis. EUA e Cuba retomam hoje as relações diplomáticas. Obama se reuniu com o presidente cubano, Raúl Castro. Certamente, o momento em que o mundo esteve mais perto do apocalipse atômico foi a crise dos mísseis em Cuba, mas faz anos que deixou de ameaçar os EUA ou seus aliados.

O Irã é diferente. Os parceiros dos EUA no Oriente Médio veem no Irã um perigo para a estabilidade do Oriente Médio, uma das regiões mais instáveis do planeta. As potências mundiais suspeitam que o país quer fabricar a bomba atômica. Sim, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, e seu homólogo iraniano, Javad Zarif,estão há um ano e meio conversando, mas a possibilidade de que os EUA e o Irã retomem as relações diplomáticas é remota. Em 29 de maio, o Departamento de Estado retirou Cuba da lista de países que patrocinam o terrorismo. O Irã continua na lista.

Apesar das diferenças, em Teerã e em Havana, em Washington e em Viena, o resultado hoje é o mesmo: a eficácia da doutrina Obama.

Os críticos denunciam o perigo de fazer concessões a regimes teocráticos ou autoritários. Mencionam os opositores e dissidentes perseguidos no Irã e em Cuba. Alertam que a imagem do presidente ou seu secretário de Estado confraternizando com seus líderes os reforça e legitima. É, segundo esse ponto de vista, a realpolitik em sua pior versão: o realismo que se esquece dos valores democráticos e dos direitos humanos e acaba prejudicando os interesses nacionais dos Estados Unidos. A democracia não está na agenda das negociações com Cuba nem com o Irã.

Mas a democracia, segundo Obama, não chega com uma varinha mágica. Nem com bombas. Wandel durch Annäherung, ou a mudança através da aproximação, era a frase que definia a Ostpolitik, a política para o Oriente do chanceler alemão Willy Brandt. Não era preciso cortar laços com a Alemanha Oriental e com o bloco soviético: a esperança era de que, com a abertura ao outro bloco, eventualmente o Muro cairia (a discussão ainda está em aberto: no final, foi a combinação de abertura diplomática com os mísseis Pershing).

Uma ideia semelhante impulsiona a doutrina Obama. A Casa Branca não acredita que Cuba se transforme em um Vietnã ou em uma China do Caribe, uma economia capitalista com um regime autoritário: a proximidade geográfica e cultural com os EUA a diferencia dos países asiáticos. Segundo esse argumento, o comércio e o turismo norte-americanos devem abrir as janelas, arejar a ilha e, no final, precipitarão a mudança.

Com o Irã não se fala sobre direitos humanos e democracia. A negociação limita-se ao programa nuclear iraniano. Mas Obama está convencido de que as consequências de um acordo o transcendem. "Um acordo nuclear consegue muitas coisas ao mesmo tempo", disse seu assessor Ben Rhodes à revista The New Yorker. "Potencialmente poderia abrir a porta a outro tipo de relação entre os Estados Unidos e o Irã que, em nossa opinião, seria muito saudável para a região."

Em Cuba e no Irã, Obama espera que as mudanças pragmáticas provoquem transformações duradouras. O acordo com Cuba está fechado. Em Viena, os negociadores estipularam uma semana, até terça-feira, para concluir um acordo que resultaria em duas semanas intensas nos EUA. Um fio conecta a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo e a reforma do sistema de saúde de Obama — aprovados pela Suprema Corte na semana passada — com o degelo com Cuba e com o Irã. Os EUA estão mudando. Seu lugar no mundo, também.

EL PAIS; ESPANHA

 
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